Penso que já não sei do que é que sou feito, de que massa áspera e dura é que me revisto, que coisa me faz rir e me faz chorar. Começo, como toda a gente, a perder o sentido de si próprio, a afundar-me na monotonia de ser só um corpo, rios de sangue, orgãos e neurónios. Afinal, quem devíamos ser senão isso, humanos, mortais, estragados pelas visões dos outros, sem nunca ser quem realmente desejamos ser. Se um míudo quer ser astronauta, é louco e será caixa no pingo doce.Que rídiculo este munduzinho, este vestido que trajamos todos os dias que saímos à rua fria, sem nunca podermos estar verdadeiramente nus, devido ao escândalo que isso traria. E as opiniões...Nem me falem, temos que sempre apresentá-las uma e nunca variar, somos troca tintas se o fizermos, sacaninhas pulando entre o melhor de dois mundos.
No fim, nem sei porque estou tão irritado, a sociedade é assim, eu sou assim, a vida tem prazo de validade e nós estamos sempre com ânsia que ele chegue. Enfim, mais valia nascer animal, senão nascemos já.
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