terça-feira, 31 de julho de 2012

Filosofia Barata


 Não que vos ajude, ou que vos enriqueça o espírito de maneira significativa, mas tenho uma confissão a fazer-vos (vós, vozes do além e possiveis padres de uma igreja qualquer): Odeio o Verão. Dito isto, as não mais que 5 pessoas que vieram ter ao meu blogue,por acidente,abandonaram já a ideia de me prestar qualquer atenção. Parece que os oiço, o seu pensamento a vociferar-lhes enraivecido «Quem é o atrasado mental que não gosta do Verão?», «Como é que ele não gosta de sol, de praia?», e claro existem sempre aqueles  2 estrangeiros que ainda vão demorar 30 minutos a descodificar o texto traduzido pelo google tradutor, e os que estavam a ver um blogue sobre lingerie e carregaram, sem querer, no botão de blogue seguinte, apressando-se a retroceder a ação.
Quero ser breve na resposta , sei que se  tornará impossível já que sou de natureza um divagador incurável e desmedido, farei um esforço gigante e começarei a desenrolar da mais bela desculpa que arranjei. É que eu não desprezo as noites quentes, os serões prolongados nem os dias temperados com Sol e Mar, desprezo sim a presença nula de ação e a consequência chata da introspeção. Enormissimas e dignas palavras que só servem para dizer que eu odeio fazer eventários da minha alma e escrutinar todo o meu ser, chegando a conclusões, no mínimo, estúpidas e parvas que partilharei (qual fiel cão).
Percebi, nessas minhas reflexões, que além de divagador nas horas vagas,sou um contradicto depressivo, vagamente  egoísta, que procura toda as atenções disponíveis.
Contradicto. Descubro-me assim, uma teia de contradições que se tornam novelos, depois tapetes e por fim uma alma labírintica que se encontra rasgada pelo gigante ego. Sim, porque os contradictos são egocêntricos, mesmo que pouco, eles pensam que o "não é bem assim" é a demonstração suprema da inteligência e que trocar as voltas às conversas, é extremamente interessante. Mas não sou só contradicto porque quero, sou porque eu sou 1001 pessoas aprisionadas num corpo, um Pessoa menos genial e sem bigode!
Nunca pensem que ser um "little" Pessoa (em matéria mental) é fácil. Quem me salva dos meus amigos que querem conselhos para derrubar outros meus amigos, quando eu  sou de ambos os flancos? Já estão a perceber? Faço sempre jogo duplo, inconsequentemente, faço quase o papel de um espião anglo-germano que apoia Hittler e Churchill na 2ª Guerra!
Depressivo e egoísta, porque é necessário.Não me venham com merdas, a dizer que nem todos temos estes defeitos,tretas! Toda a humanidade tem a necessidade de ser egoísta para se reconhecer como humano e controlador do seu próprio destino, mesmo que isso seja mentira, nós precisamos. Além disso a humanidade necessita da depressão, de pôr uma mão na cabeça, revolver todo o mal e de se afundar em si mesmo, percebendo a verdadeira essência da morte e de nós todos.
Depois de todo a minha investigação, revelação. Eu sou humano, eu não tenho que inspirar perfeição nem alcançá-la, aliás, a humanidade foi criada para ser defeituosa e semideusa, aspirando sempre a ser Divina, e caíndo sempre na mesma armadilha: a vontade de conhecer mais. É o não nos contertarmos com a simplicidade e a verdade, que nos leva a querer a mentira, a possível descoberta de conspiração, uma "verdade" que nos satisfaz.Verdade é também, que a descoberta é o modo de encontrá-la, mas hoje ela já não vende jornais, passou a ser desinteressante!
E é assim que acabo de escrever, não entenderam muito pois não? Não faz mal,eu também não...

domingo, 1 de julho de 2012

Caravela na tormenta


Há uma caravela de pesadelos,
tão negra como a minha tristeza
e bordada de luz como a tua alma,
que roda no desespero, me chama.
Se inflama e parte para o abismo,
Procurando o meu Sol!

Sei de um marinheiro
Que do mundo inteiro, te escolheu.
Cantou minhas trovas loucas e velhas
Bebeu o espírito do teu sangue
E mo deu a mim, sem remorso,
Prendendo o teu amor ao meu.

Jazia já teu corpo, meu amor
Quando do leme do meu ardor,
Do cimo do mar da minha dor
Roguei aos céus, em oração:

"Era tão bom, gaivota
Que antes de partires, com a minha saudade,
com minha dor esmagada., me levasses
Sem perguntas, onde ela repousa.
Esse repouso tão sagrado como o tempo
Essa cama de sonho, onde eu me quis deitar!
Triste Fado, tão grande o pesar
De não mais te ver, pela minha caravela passar."