quarta-feira, 21 de outubro de 2015

Sobremesa

Dos rios de vinho
bebem as estranhas zebras
com as pernas entrançadas nos restaurantes
Seus olhos brilham, charutos fagulhentos
os lábios azedos discutem as mamas da economia e da cultura

Enquanto juntam cascalho à bica
E por trinta dinheiros vendem a cidade aos Leões
Contemplam os mármores da glória
Todos os nomes altíssonantes
capazes de partir cristaleiras
Nomes de gente morta, incapaz de fugir aos néons do marketing
E a esta glória
amarga de tão polida
suja de tão moldada

Fino pêlo púbico de homens,este
que discute o fim da Era entre lagostas
e pãezinhos besuntados de caviar
Agora, é favor chamar o garçon (PSSSST, A SOBREMESA, MENINO)
E assim aparece
Em bandeja limpa
a melhor taça de arroz doce
cremoso e calado
com um fiozinho de canela
para que não se zombe da hospitalidade tão nossa

Partem a surpresa com a colher
Emerge, entre o amarelo, Portugal