E a nau escondida da tua rejeição
Não há amor teu
Só água e mãos enterradas procurando
E as unhas em sangue da busca
Na senda do mistério dos teus lábios
Oh criatura que não amas
Mas pedes a minha vida
A minha sombra
A casa
Homens esgravatam em penhascos a tua imagem
Cobrem os braços de cofres de arame farpado
E estão nus, à mercê de quantos leões pôde a terra parir
Só para puder respirar a tua face de sal, de mármore
O sorriso que não desce e fica
Carvão fulgurante riscando os céus
Morte...Precipício em todas as línguas do mundo... de todos nós
A tua chamada embate em mim como um rugido
Ergo-me como um soldado que se despede
E vou rumo ao íman carnívoro que canta
Ao amor despedaçado que grita
esperneia
trucida
como uma sereia