sábado, 12 de abril de 2014

She

No meu coração há a janela furada dos sonhos mudos
E a nau escondida da tua rejeição
Não há amor teu
Só água e mãos enterradas procurando
E as unhas em sangue da busca
Na senda do mistério dos teus lábios
Oh criatura que não amas
Mas pedes a minha vida
A minha sombra
A casa

Homens esgravatam em penhascos a tua imagem
Cobrem os braços de cofres de arame farpado
E estão nus, à mercê de quantos leões pôde a terra parir
Só para puder respirar a tua face de sal, de mármore
O sorriso que não desce e fica
Carvão fulgurante riscando os céus
Morte...Precipício em todas as línguas do mundo... de todos nós

A tua chamada embate em mim como um rugido
Ergo-me como um soldado que se despede
E vou rumo ao íman carnívoro que canta

Ao amor despedaçado que grita
                                               esperneia
                                                      trucida
                           como uma sereia

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