domingo, 22 de novembro de 2015

Verso/Inverso






Alguém que cala assim, coisa tão aguçada
Muralhas comendo com tenebrosos esforços
Obscura semente leva guardada
Roendo as saudades e engolindo remorsos

Rasgando a pele com mão infeta
Olha o caos que em seu mundo veleja
Miasma ferrenta lhe magoa qual seta
Afoga-se, sem pé, na dor benfazeja

Alguma da gente pergunta se
Mora naquela alma sarna voraz
Obrigam-no, no meio da praça ruidosa, junta, a
Responder sobre que mal é esse tão capaz

Rilhando a dentadura
Ocultando a cara dos narizes enganados
Mia à gente dura, "é
Amor quem acomete meus músculos danados".

terça-feira, 17 de novembro de 2015

A.


Meus pulmões sombrosos
Respiram só as uvas verdes cortadas
que em teus olhos repousam
quais feras aladas

Em tudo quanto vejo e tateio
Entre os escarpados becos e ruas estreladas
Cantam-me esses prados
que me seguram as veias cansadas

Tropeço nas obesas letras de sangue
que os jornais enchem, às bofetadas
E desdenho dos bichos que delas bebem
que nunca se esquentaram no lume das minhas esferas guardadas

E se a memória assim me ataca
estorcendo-me a carne com azedura
É porque longe estás, notícias não tenho
E vai-se agigantando este lanho
A falta tua, que assim me fura