Minha mãe ensinou-me
a beber em goles lentos
a água do copo
Por mais venenoso que seja o deserto
Há-de sempre vir um aguadeiro estranho
Guardando a vida num odre
E eu beberei a água em calmos acessos
Para que a vida pareça ser muita
Não mastigarei com fúria as virtudes
Nem fumarei o amor em rajadas
Devagar, como se deve fazer
Sem trocar tudo pela corrida
Não há prazer em gastar os pulmões
a correr.
