quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

É estranho

Cada um de nós é um facto inadiavelmente predestinado a ser apagado das linhas do Mundo. Mesmo dito de forma suave soa a merda, digamos que nunca iremos acreditar que vamos morrer, nunca iremos compactuar com a ideia da eternidade, essa realidade chata, lenta, aborrecidamente eterna, nem com o final de tudo, visto que se acabarmos o Mundo acabou.
Devido a esta ilusão decidimos, pelo menos eu adoro, criar personagens imortais, musas, mesmo que não sejamos escritores nem pintores.Vê-mos esses cavaleiros corajosos, essas damas de fumo e sonho, a tomarem posse de nós, a mover-nos, a ser-nos.
Identifico-me sempre com uma personagem decadente, um velho, se quisermos chamar os bois pelos nomes, que está rodeado pela mágoa e pelo beijo eminente da Morte.
Sempre tive um fascínio agridoce com essa companheira de viagem.Pensar que irei morrer è aterrador, mas pensar na morte chega a ser um misto de tranquilidade e paz. Estranho, pensam, Estranho, penso.
O velho de que falo nunca amou, em parte é a reflexão da minha derrota enquanto sonho imortal, em parte é o meu todo conspurcado pela velhice prematura, pelo sentimento de que daqui a 3 segundos posso socumbir à peste negra ou à lepra.
Nada vos interessa isto, este apresentar do velho e do meu replente interior. Queriam um paraíso, com uns animaizinhos adoraveis e um sol resplandecente? Acredito, mas nesta farmácia só se vende do que se mostrou.

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